Serei só eu?
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No céu cinzento Sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada
Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas
São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada
Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
Eles comem tudo
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
E não deixam nada 
Será que ao ouvirmos esta canção, todos sentimos a actualidade destas palavras? Ou serei só eu?
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Eh pá sósse vamos lá ver se eles deixarem alguma coisa…mas já agora tás a falar de quem?
É que se é destes ruazes, nem as poitas escapam quanto bem o calamento…
Segundo se consta a “Mi ZÉ Morgado” parece que anda a bater c’os dedos contra a borda….
Comuna
Ah !!!! Gostas deste poema ! Zeca Afonso e tal , já percebemos …
Será ficam obessos?…….