Friday, May 4, 2007

Sui generis

“Depressa e bem há pouco quem” é um ditado antigo que, neste caso, quer dizer o seguinte: Como amanhã (hoje) há a procissão, a ordem foi ” Depressa rapaziada vamos lá tapar os buracos das ruas mas só naquelas onde passa a procissão”… Na pressa, porque o tempo urge, até conseguiram tapar com alcatrão as duas tampas-alçapão que no chão dão acesso aos buracos onde se encontravam os depósitos dos combustíveis da antiga bomba de gasolina do Duque. Será que ficou alguém lá dentro? Abram esses olhos!

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Pleonasmo rodoviário

Afinal de contas quem é que “manda” no trânsito, cá na terrinha?

 

 

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Posted by jose santos at 00:39:22 | Permalink | Comments (1) »

Il postino - Um interlúdio mal contado


 

Afinal, o Carteiro foi chamado por Pablo Neruda não porque este precisasse dele mas porque a Senhora da foto está grávida de balde cheio (a metáfora, para os mais distraídos) e o dito Carteiro, presumivelmente pai da criança, tem que prestar-lhe contas não pelo bébé mas pelo poema que escreveu à Senhora, levando-a às lágrimas depois de a ter levado ao céu. Malandro. E, depois, ainda tem a lata de falar no Carlos Gardel. G’anda tanga(o).

A carta que a Senhora está a ler, como se pode ver na foto, contém o seguinte poema de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto:

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

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Posted by jose santos at 00:17:42 | Permalink | Comments (1) »