


Pouco ou mesmo nada se falou da guerra do
Ultramar durante os treze anos que esta durou,
em plena ditadura. E, inacreditavelmente,
também pouco ou mesmo quase nada se falou
da mesma guerra durante os últimos 34 anos,
os apelidados de anos de Liberdade.
Se pensarmos que foram envolvidos nos locais
da guerra, em África, e retirados do seio das
suas famílias, mais de um milhão de jovens
portugueses com idades a rondar os 20 anos(!),
que morreram durante os 13 anos de guerra
uma média de 3 militares por dia, isto é, cerca
de 13.000 mortos, se a este assombroso número
acrescentarmos aqueles que ficaram sem pernas,
sem braços, sem saúde física e sem saúde psíquica,
teremos que questionar o porquê dos políticos
paladinos das teorias da liberdade de expressão
ainda não terem, digamos, permitido que os
Portugueses conheçam a verdade do que realmente
aconteceu, contada em directo pela boca dos
próprios. Isto para que, mais tarde, na História
não apareça uma zona turva no período 1961-1974
e para que os próximos filhos de Portugal não se
envergonhem dos seus avós que perderam os
melhores anos da sua juventude num gigantesco
esforço e sacrifício. Agora, inglórios.
Foi o que esses grandes Portugueses deram para a
defesa da Pátria. Goste-se ou não, foi o que aconteceu.
Camaradas de armas, ainda vamos a tempo de honrar
os que morreram ao nosso lado ou em Angola ou em
Moçambique ou na Guiné! Juntos, de viva voz,
contaremos a Guerra Colonial e acabaremos com
o gueto onde estes novos fascistas nos colocaram.
Contem-se, pois, todas as histórias da História
dessa época. Ficaremos mais limpos e, certamente,
todos mais aliviados.